A revista apresenta a escola a partir de dentro, reunindo experiências que envolvem participação estudantil, pesquisa, ciência, arte, inclusão, território, meio ambiente, memória e mobilização social. No texto de apresentação, a diretora Maria da Cruz Sousa Santos afirma que o trabalho da escola consiste em “aproximar pessoas, reunir vozes e criar passagens entre saberes, experiências e histórias do nosso território” , indicando que a publicação se organiza a partir dessas relações.
Entre as produções, a trajetória de Brenda Barão Sampaio evidencia a participação estudantil em espaços públicos. Ao relatar sua atuação como vereadora mirim, afirma que aprendeu “a falar, ouvir e pensar mais no coletivo” , mostrando que a escola amplia possibilidades de atuação para além do espaço interno.
Na área da ciência, estudantes participantes da OBAFOG apresentam um percurso em que aprender envolve investigação, experimentação e colaboração. A revista registra que esse processo se constrói “na troca, na escuta e na construção coletiva” , evidenciando uma prática em que o conhecimento é produzido em interação.
A dimensão artística aparece nos trabalhos de Wesley Felipe, que desenvolve o desenho como forma de expressão, e de Giuliane Franco, que utiliza a produção artística para expressar relações e afetos construídos na escola . Nessas produções, a arte se apresenta como linguagem de leitura e interpretação do mundo.
O percurso formativo também inclui conquistas educacionais, como a aprovação de 17 estudantes na ETEC, resultado de um processo que envolve acompanhamento pedagógico, apoio coletivo e continuidade dos estudos .
Temas ligados ao cuidado e à saúde aparecem em ações que promovem reflexão sobre escolhas e modos de vida, organizadas a partir do diálogo com estudantes . Essas práticas indicam que a escola cria espaços para discutir questões presentes na realidade dos educandos.
A relação com o território é aprofundada em diferentes textos. A história de Dona Almerinda, agricultora do assentamento, traz elementos das condições de vida no campo e explicita dificuldades enfrentadas no cotidiano, ao afirmar que “não tem reconhecimento. Ninguém valoriza.” . Sua presença na revista conecta a escola às experiências da comunidade.
Essa articulação também se expressa na pesquisa desenvolvida pela estudante Lilian, que investiga a história da escola e do bairro, reunindo memórias e registros que fortalecem vínculos com o território .
No campo da inclusão, o trabalho apresentado pelo professor Leandro Vitório Santos Pereira, no Atendimento Educacional Especializado, destaca a importância de considerar as singularidades dos estudantes e de construir possibilidades de aprendizagem a partir da escuta .
A atuação da APM, do conselho de escola e do grêmio estudantil também compõe a revista, evidenciando que a gestão e a organização escolar se realizam com participação coletiva . Essas instâncias aparecem como parte do funcionamento da escola e da construção de decisões compartilhadas.
Projetos ligados ao meio ambiente, como a horta escolar e as ações de cuidado com o espaço, reforçam a relação com o território rural e com práticas de cultivo e sustentabilidade, integrando aprendizagem e vida cotidiana .
A revista também incorpora produções que dialogam com direitos das crianças e adolescentes, tema que esteve presente no sábado letivo por meio da caminhada de mobilização social. Esse movimento articula escola e espaço público, ampliando o alcance das discussões realizadas no cotidiano escolar.
Esse conjunto de produções se conecta às práticas desenvolvidas no Projeto Brincadas, realizado em parceria com pesquisadores da PUC-SP. O projeto tem contribuído para a criação de espaços de diálogo, participação e problematização da realidade, nos quais estudantes, educadores e comunidade constroem coletivamente sentidos sobre suas experiências.
Ao reunir diferentes vozes e experiências, a Revista Pontes evidencia um processo em que aprender envolve escutar, dialogar, investigar, produzir e compartilhar. A publicação mostra uma escola que organiza suas práticas a partir das relações e que reconhece o conhecimento como construção coletiva, em diálogo com a vida no território.
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