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O Lado Esquerdo da Notícia

Brigada abre oportunidade para conhecer Cuba por dentro

Por Léo Duarte

Viagem de 24 de janeiro a 6 de fevereiro de 2027 prevê atividades em Havana, Varadero, Santa Clara e outros pontos da ilha, com cultura, formação, solidariedade e contato direto com um país que enfrenta há mais de seis décadas o embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos.

Conhecer Cuba para além das praias, dos cartões-postais. Essa é a proposta da próxima Brigada Sul-Americana de Solidariedade com Cuba, anunciada para 24 de janeiro a 6 de fevereiro de 2027, com atividades em Havana, Varadero, Santa Clara e outros locais do país.

A oportunidade sugere uma experiência de conhecimento, cultura, lazer, integração com o povo cubano e convivência com militantes de outros países. O custo informado é de US$ 650, e já está disponível o formulário para quem deseja participar. A programação anunciada inclui ainda o “Encuentro Internacional de Cátedras Martianas: Docencia, Investigación y Solidaridad”, dedicado ao pensamento e ao legado de José Martí.

Conhecer Cuba por dentro significa também compreender as condições impostas ao país por uma relação profundamente desigual. Há mais de seis décadas, os Estados Unidos mantêm contra a ilha um conjunto de restrições econômicas, comerciais e financeiras. Em 2026, novas medidas dirigidas ao fornecimento de combustível ampliaram essa pressão justamente sobre um recurso indispensável para eletricidade, transporte, hospitais, abastecimento de água e produção e distribuição de alimentos.

Relatores das Nações Unidas manifestaram preocupação formal com os impactos dessas medidas sobre direitos humanos, incluindo os direitos à saúde, alimentação, educação, desenvolvimento, água e saneamento. O bloqueio, portanto, não é uma abstração diplomática: seus efeitos alcançam a vida cotidiana de milhões de cubanas e cubanos.

FONTE: convocatória da Brigada Sul-Americana de Solidariedade com Cuba para 2027 — material fornecido ao Garantia de Direitos.

FONTE: Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos — LINK: https://spcommreports.ohchr.org/TMResultsBase/DownLoadPublicCommunicationFile?gId=30947


Inscrição já está disponível

O convite busca ampliar a participação brasileira e disponibiliza formulário para quem deseja integrar a brigada. A viagem está prevista para 24 de janeiro a 6 de fevereiro de 2027, período em que participantes poderão conhecer diferentes espaços da ilha e entrar em contato com aspectos históricos, culturais, políticos e sociais da experiência cubana.

FORMULÁRIO DE PARTICIPAÇÃO — LINK: https://forms.gle/AAziic7jo6oLVypH8

A programação também prevê o encontro internacional de Cátedras Martianas, acrescentando uma dimensão acadêmica e formativa à experiência de integração e solidariedade.


Conhecer Cuba por dentro é compreender mais de seis décadas de bloqueio

O embargo econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos atravessa gerações de cubanas e cubanos. Ao longo das décadas, suas consequências ultrapassaram as relações comerciais diretas entre Washington e Havana, alcançando operações financeiras e relações de empresas e instituições de outros países com Cuba.

Documentos apresentados às Nações Unidas registram impactos das restrições em diferentes áreas. Relatório distribuído pela ONU em 2025, por exemplo, registra dificuldades provocadas pelo embargo em operações bancárias e colaboração internacional e aponta impacto direto das restrições de viagem sobre o turismo cubano.

A dimensão extraterritorial ajuda a explicar a amplitude dessa política. Empresas, bancos e outras instituições fora dos Estados Unidos podem ser afetados por medidas norte-americanas quando mantêm determinados negócios ou operações relacionados a Cuba.

A oposição internacional ao embargo permanece expressiva. Em 29 de outubro de 2025, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou novamente uma resolução pedindo seu encerramento. Foram 165 votos favoráveis, sete contrários e 12 abstenções. A votação ocorreu pelo 33º ano consecutivo sobre a necessidade de pôr fim ao embargo.

FONTE: Organização das Nações Unidas — Resolução A/RES/80/4 — LINK: https://digitallibrary.un.org/record/4091600


Em 2026, Estados Unidos ampliaram pressão sobre o combustível

Em janeiro de 2026, o governo dos Estados Unidos adotou uma nova medida relacionada ao fornecimento de petróleo e combustível a Cuba. A decisão despertou preocupação de especialistas independentes ligados ao sistema de direitos humanos das Nações Unidas.

Em comunicação formal enviada aos Estados Unidos em abril, relatores da ONU apontaram impactos negativos da ordem sobre os direitos ao desenvolvimento, alimentação, educação, saúde, água e saneamento. O documento registra que Cuba depende fortemente de combustível importado para serviços essenciais, incluindo eletricidade, hospitais, transporte público, abastecimento de água e produção e distribuição de alimentos.

Os especialistas também registraram que a falta de combustível dificulta deslocamentos até hospitais e escolas e relacionaram as restrições ao acúmulo de dezenas de milhares de cirurgias pendentes no sistema de saúde.

O que pode parecer uma medida distante, decidida em Washington, alcança assim necessidades elementares de famílias cubanas. Combustível significa eletricidade para hospitais, energia para bombear água, transporte de alimentos, funcionamento de escolas e possibilidade de pessoas chegarem ao trabalho ou a uma consulta médica.

FONTE: Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos — comunicação USA 12/2026 — LINK: https://spcommreports.ohchr.org/TMResultsBase/DownLoadPublicCommunicationFile?gId=30947


A maioria internacional voltou a se posicionar contra o embargo

Em julho de 2026, a Assembleia Geral das Nações Unidas retomou formalmente o debate sobre o embargo. Representantes de diferentes grupos de países denunciaram o endurecimento das medidas e seus efeitos sobre combustível, energia, alimentos, medicamentos, água e outros serviços essenciais.

Durante o debate, o Movimento dos Países Não Alinhados pediu o levantamento imediato, completo e incondicional do embargo e de suas medidas extraterritoriais. Representantes do Grupo Africano também relacionaram a escassez de combustível a apagões prolongados, dificuldades enfrentadas por hospitais, interrupções na educação, produção de alimentos e transporte.

As manifestações ocorreram depois da resolução aprovada em outubro de 2025 por 165 países. A continuidade e o endurecimento das restrições fizeram com que o tema voltasse à Assembleia Geral meses depois.

A solidariedade internacional com Cuba, portanto, não está restrita às organizações que promovem brigadas. A contestação às medidas norte-americanas atravessa décadas de votações multilaterais e reúne países com sistemas políticos, governos e orientações ideológicas muito diferentes.

FONTE: Assembleia Geral das Nações Unidas — 99ª reunião plenária da 80ª sessão — LINK: https://transcripts.un.org/en/ga/80/99


O bloqueio também entra dentro das casas

As consequências das restrições tornam-se mais visíveis quando observadas fora das relações diplomáticas. Eletricidade, água, alimentos, medicamentos e transporte fazem parte da organização diária de qualquer família.

Quando combustível se torna mais difícil de obter, os efeitos percorrem uma cadeia inteira. A geração de eletricidade é prejudicada; bombas de água dependentes de energia podem deixar de funcionar; transporte e distribuição são afetados; hospitais precisam manter equipamentos e serviços essenciais funcionando; alimentos e medicamentos que exigem refrigeração dependem do fornecimento elétrico.

É nesse cotidiano que a proposta de conhecer Cuba por dentro ganha outro significado. Participantes da brigada não encontrarão apenas a história da Revolução, monumentos ou destinos turísticos. Poderão entrar em contato com uma sociedade que preserva sua soberania enquanto enfrenta uma política de pressão econômica aplicada pela maior potência econômica e militar do continente.

A própria ONU registrou em 2026 que as medidas relacionadas ao combustível atingem praticamente todos os setores da sociedade cubana.

FONTE: Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos — LINK: https://spcommreports.ohchr.org/TMResultsBase/DownLoadPublicCommunicationFile?gId=30947


Mulheres sentem impactos específicos do bloqueio

A dimensão de gênero também precisa fazer parte desse olhar. Restrições que atingem água, energia, alimentação, transporte e serviços de saúde não afetam todas as pessoas exatamente da mesma maneira.

Quando falta água, aumenta o trabalho necessário para garantir seu uso doméstico. Quando a eletricidade é interrompida, conservar e preparar alimentos pode exigir novas estratégias. Quando transporte e serviços públicos são prejudicados, cresce o esforço necessário para cuidar de crianças, pessoas idosas e familiares que precisam de atendimento.

Esse impacto encontra uma sociedade em que as mulheres desempenham papel central no trabalho, nas famílias, na saúde, na educação, na ciência, na política e nas organizações populares. Por isso, observar os efeitos do bloqueio com perspectiva de gênero significa perguntar não apenas o que falta, mas quem assume o trabalho adicional necessário para manter a vida cotidiana funcionando.

A questão alcança também direitos específicos. Documentos e manifestações no sistema das Nações Unidas em 2026 relacionaram as restrições de energia e abastecimento a dificuldades na saúde e no atendimento de mulheres e crianças.

A solidariedade com Cuba precisa, portanto, tornar visíveis também as mulheres cubanas: não somente como pessoas atingidas pelas medidas externas, mas como trabalhadoras, profissionais, pesquisadoras, dirigentes, militantes e protagonistas das respostas construídas pela sociedade.

FONTE: ONU Mulheres — dados sobre Cuba — LINK: https://data.unwomen.org/country/cuba


Cuba também é resistência, cultura e soberania

Reduzir Cuba às consequências do embargo produziria outra imagem incompleta do país. A proposta da brigada é justamente proporcionar contato com uma sociedade que possui história, cultura, organização social, memória política e identidade próprias.

A ilha atravessou mais de seis décadas de pressão econômica externa sem abrir mão de sua soberania nacional. Para participantes da brigada, conhecer essa trajetória significa entrar em contato tanto com as consequências materiais do bloqueio quanto com as formas pelas quais a população organiza a vida cotidiana, preserva sua cultura e constrói redes de solidariedade.

É essa dimensão que diferencia uma brigada de solidariedade de uma excursão convencional. Não se trata simplesmente de observar Cuba de fora, mas de estabelecer contato com pessoas, instituições, organizações e experiências que ajudam a compreender o país a partir de sua própria realidade.


Havana, Varadero e Santa Clara estão no roteiro

A programação prevê atividades em Havana, Varadero, Santa Clara e outros locais importantes para conhecer diferentes aspectos da realidade cubana.

Havana concentra instituições políticas, acadêmicas, históricas e culturais. Varadero é um dos destinos cubanos mais conhecidos internacionalmente e permite contato com uma região fortemente ligada ao turismo. Santa Clara ocupa lugar especial na memória revolucionária e mantém profunda associação histórica com Ernesto Che Guevara.

Percorrer esses diferentes espaços permite aproximar participantes de dimensões distintas da sociedade cubana: história, cultura, turismo, cotidiano, memória revolucionária e organização social.

A programação completa das atividades deve ser confirmada diretamente com a organização responsável pela brigada.


José Martí integra a experiência

A programação anunciada inclui ainda o “Encuentro Internacional de Cátedras Martianas: Docencia, Investigación y Solidaridad”, dedicado ao pensamento e ao legado de José Martí.

Poeta, jornalista, intelectual e liderança fundamental da independência cubana, Martí ocupa posição central na história política e cultural da ilha e permanece referência para o pensamento latino-americano.

A participação no encontro acrescenta uma dimensão acadêmica e formativa à viagem, aproximando participantes de pesquisadoras, pesquisadores e instituições dedicadas ao estudo de sua obra.

Assim, a experiência reúne diferentes dimensões: contato com regiões cubanas, formação histórica, cultura, solidariedade internacional, pensamento latino-americano e convivência com a população.


Solidariedade ganha sentido concreto diante do bloqueio

A palavra “solidariedade” não aparece por acaso no nome da brigada. Cuba convive há mais de seis décadas com medidas econômicas impostas pelos Estados Unidos e, em 2026, especialistas da ONU voltaram a documentar consequências dessas políticas sobre direitos fundamentais da população.

Ao mesmo tempo, a maioria da comunidade internacional continua defendendo formalmente o encerramento do embargo. A resolução de 2025 recebeu 165 votos favoráveis, enquanto o debate voltou à Assembleia Geral em julho de 2026 diante do endurecimento das restrições.

Participar de uma brigada nesse contexto significa conhecer de perto a população que vive essas consequências, sua história e as formas de solidariedade construídas entre Cuba e outros povos.

Para quem viajar em janeiro de 2027, “conhecer Cuba por dentro” poderá significar justamente isso: ultrapassar as imagens distantes sobre a ilha e encontrar cubanas e cubanos, sua cultura, sua memória revolucionária e sua experiência cotidiana de resistência e soberania.


Como participar em 2027

A Brigada Sul-Americana de Solidariedade com Cuba está anunciada para 24 de janeiro a 6 de fevereiro de 2027, com atividades em Havana, Varadero, Santa Clara e outros locais.

O custo informado pela convocatória é de US$ 650.

Quem deseja participar pode preencher o formulário disponibilizado para a mobilização brasileira:

FORMULÁRIO DE PARTICIPAÇÃO — LINK: https://forms.gle/AAziic7jo6oLVypH8

Como o material recebido não especifica todas as despesas contempladas no valor, participantes devem consultar diretamente a organização sobre as condições completas antes de efetuar pagamentos ou comprar passagens.


FONTES CONSULTADAS

Formulário de participação

Organização das Nações Unidas — Resolução A/RES/80/4 sobre o embargo dos Estados Unidos contra Cuba - LINK: https://digitallibrary.un.org/record/4091600

Assembleia Geral das Nações Unidas — debate sobre o embargo, julho de 2026 - LINK: https://transcripts.un.org/en/ga/80/99

Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos — comunicação USA 12/2026 sobre impactos das restrições de combustível - LINK: https://spcommreports.ohchr.org/TMResultsBase/DownLoadPublicCommunicationFile?gId=30947

ONU Mulheres — dados sobre Cuba - LINK: https://data.unwomen.org/country/cuba

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