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O Lado Esquerdo da Notícia

Relações de Flávio Bolsonaro atravessam casos com milícias e crime organizado

Por Léo Duarte

Mensagens encontradas pela Polícia Federal mostram integrante do gabinete do candidato à Presidência tratando de emenda com Robson Calixto, o Peixe, condenado por integrar organização criminosa armada no processo do caso Marielle. O episódio se soma a mais de duas décadas de relações documentadas que passam por Adriano da Nóbrega, familiares empregados no gabinete, policiais posteriormente investigados ou condenados e aliados atingidos por investigações sobre contravenção e crime organizado.

Uma troca de mensagens encontrada pela Polícia Federal colocou novamente o entorno político de Flávio Bolsonaro diante de uma história que atravessa mais de duas décadas. Em 2023, Maria de Fátima Bezerra Castro, integrante do gabinete do senador, tratou com Robson Calixto Fonseca, o Peixe, da liberação de recursos de emenda parlamentar. Uma emenda indicada por Flávio destinou R$ 199.999,79 ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, no Rio de Janeiro, para um projeto de futebol. Segundo a investigação da PF divulgada pela Folha de S.Paulo, poucos dias depois de uma das conversas, o senador destinou recursos utilizados em contratações que entraram na apuração sobre suspeitas de desvio de emendas.

Os R$ 199.999,79 mil discutidos nas mensagens não foram os únicos recursos indicados por Flávio à organização investigada. A apuração identificou aproximadamente R$ 600 mil destinados pelo senador: além dos R$ 199 mil para o projeto Jogadores do Futuro, cerca de R$ 400 mil foram enviados para Barra do Piraí por meio de emenda Pix. A Polícia Federal investiga suspeitas de desvio de recursos destinados a entidades sem fins lucrativos, com pagamentos indevidos, empresas interpostas e mecanismos de ocultação da origem e do destino do dinheiro.

Peixe, interlocutor da integrante do gabinete, foi condenado em fevereiro de 2026 pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a nove anos de prisão por integrar organização criminosa armada com os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão. Domingos e Chiquinho Brazão e Ronald Paulo Alves Pereira foram condenados pelo planejamento dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes. Robson Calixto foi condenado pelo crime de organização criminosa armada. Em junho, a Primeira Turma rejeitou recursos e manteve as condenações.

O episódio da emenda conduz a outros capítulos da trajetória política de Flávio em que homenagens, nomeações, relações eleitorais e alianças políticas cruzaram o caminho de personagens que apareceram em investigações, processos ou condenações envolvendo milícias, contravenção e outras organizações criminosas.

Saiba mais: Folha de S.Paulo — mensagens encontradas pela PF mostram integrante do gabinete de Flávio tratando da emenda com Robson Calixto

Saiba mais: STF — julgamento da Ação Penal 2.434 e as condenações no caso Marielle

Flávio propôs Medalha Tiradentes para Adriano da Nóbrega quando o policial estava preso

Um dos capítulos mais antigos e documentados envolve Adriano Magalhães da Nóbrega. Em 15 de junho de 2005, Flávio Bolsonaro apresentou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro o Projeto de Resolução nº 1.067/2005 para conceder ao então primeiro-tenente da Polícia Militar a Medalha Tiradentes. O documento oficial identifica Flávio como autor e traz uma extensa justificativa exaltando a trajetória policial de Adriano. A proposta foi aprovada em agosto daquele ano e deu origem à Resolução nº 931/2005.

Quando Flávio apresentou a proposta, Adriano estava preso preventivamente desde janeiro de 2004, acusado pelo homicídio do guardador de carros Leandro dos Santos Silva. Em outubro de 2005, meses depois da apresentação da homenagem, Adriano foi condenado pelo Tribunal do Júri a 19 anos de prisão. A documentação da própria Alerj confirma que Flávio apresentou em 15 de junho daquele ano o projeto que concedia a Medalha Tiradentes ao policial, aprovado pela Assembleia em agosto.

Anos depois, Adriano apareceu em investigações de outra natureza. Foi apontado como liderança da milícia de Rio das Pedras e relacionado ao chamado Escritório do Crime. Também voltou a aparecer no entorno do antigo gabinete de Flávio: sua então mulher e sua mãe foram nomeadas assessoras, e investigações do Ministério Público do Rio apontaram movimentações envolvendo contas controladas por Adriano e Fabrício Queiroz.

Saiba mais: Alerj — íntegra do Projeto de Resolução nº 1.067/2005 apresentado por Flávio Bolsonaro

Saiba mais: Folha de S.Paulo — Adriano estava preso quando Flávio propôs a homenagem

Mãe e mulher de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio

A relação com a família de Adriano foi além das homenagens. Raimunda Veras Magalhães, mãe do ex-PM, e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, sua mulher à época, trabalharam no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa. 

Raimunda também apareceu no relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras que identificou movimentações bancárias consideradas atípicas envolvendo Fabrício Queiroz, então assessor de Flávio. Ela havia transferido R$ 4.600 para a conta de Queiroz. O próprio Queiroz confirmou posteriormente que havia indicado mãe e mulher de Adriano para trabalhar no gabinete.

O Ministério Público do Rio relacionou posteriormente as duas mulheres à investigação das rachadinhas. Segundo os promotores, os salários de Raimunda e Danielle somaram mais de R$ 1 milhão e parte desses recursos teria retornado direta ou indiretamente para Queiroz. O MP também investigou empresas relacionadas a Adriano no rastreamento do dinheiro atribuído ao esquema. 

Saiba mais: Folha de S.Paulo — mãe e mulher de Adriano da Nóbrega trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro

Saiba mais: UOL — Queiroz confirmou ter indicado mãe e mulher de Adriano para o gabinete

Em 2007, Flávio disse na Alerj que havia “uma série de benefícios” nas milícias

O histórico com o tema das milícias não se restringe às pessoas que passaram pelo gabinete ou receberam homenagens. Em 7 de fevereiro de 2007, Flávio tratou diretamente desses grupos na tribuna da Assembleia Legislativa. O pronunciamento está preservado nas notas taquigráficas da própria Alerj.

Ao falar sobre policiais que passavam a controlar comunidades anteriormente dominadas pelo tráfico, Flávio afirmou que havia “uma série de benefícios nisso”. Também criticou setores ligados aos direitos humanos e políticos que, segundo sua argumentação naquele discurso, tratavam aqueles grupos de forma negativa. A manifestação ocorreu quando o avanço das milícias já se tornava tema de crescente preocupação no Rio de Janeiro.

Investigações, processos e a CPI das Milícias realizada posteriormente pela própria Alerj expuseram estruturas armadas de controle territorial, extorsão de moradores, exploração clandestina de serviços e negócios e infiltração de agentes públicos. 

Saiba mais: Alerj — transcrição oficial do pronunciamento de Flávio Bolsonaro em 7 de fevereiro de 2007

Operação Quarto Elemento atingiu policiais homenageados e participantes de atividades da campanha

Em 2018, a Operação Quarto Elemento colocou outros personagens relacionados à trajetória política de Flávio no centro de uma investigação. A operação apurava a atuação de uma suposta organização criminosa formada por policiais e envolvida, segundo os investigadores, em crimes como extorsão, corrupção, concussão e peculato.

Entre os investigados estavam os policiais militares Leonardo Ferreira de Andrade e Carlos Menezes de Lima e o policial civil Bruno Duarte Pinho. Os três haviam recebido moções de louvor propostas por Flávio na Assembleia Legislativa.

A operação também prendeu os irmãos Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, policiais militares que haviam participado de atividades relacionadas à campanha de Flávio ao Senado. Eles eram irmãos de Valdenice de Oliveira Meliga, que atuava na estrutura política ligada ao então candidato. Fotografias divulgadas nas redes sociais registraram Flávio e Jair Bolsonaro em uma comemoração de aniversário dos dois policiais.

Saiba mais: O Dia/Estadão — policiais presos participaram de atividades da campanha e investigados haviam sido homenageados por Flávio

Ronald Paulo Alves foi homenageado por Flávio e condenado no caso Marielle

Outro policial homenageado por iniciativa de Flávio foi Ronald Paulo Alves Pereira. Em 2004, quando Ronald ainda era capitão da Polícia Militar, o então deputado apresentou uma Moção de Louvor e Congratulações pela participação do policial em uma operação no Conjunto Esperança, no Complexo da Maré. A ação havia terminado com três mortos.

Em 25 de fevereiro de 2026, Ronald foi condenado por unanimidade pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Penal 2.434. O STF o condenou pelos homicídios qualificados de Marielle Franco e Anderson Gomes e pela tentativa de homicídio de Fernanda Chaves. A pena fixada foi de 56 anos de prisão.

Em junho, a Primeira Turma rejeitou os recursos apresentados pelos cinco condenados no processo e manteve as condenações. Ronald, homenageado por Flávio em 2004, tornou-se assim um dos condenados pelo Supremo pelo planejamento dos assassinatos de Marielle e Anderson.

Saiba mais: UOL/Estadão — Flávio Bolsonaro homenageou Ronald Paulo Alves Pereira em 2004

Saiba mais: STF — Ronald Paulo Alves foi condenado a 56 anos no caso Marielle e Anderson

Saiba mais: STF — Primeira Turma rejeitou os recursos e manteve as condenações em junho de 2026

Rachadinhas: MP denunciou Flávio, Queiroz e ex-assessoras ligadas a Adriano da Nóbrega

No caso das chamadas rachadinhas, Flávio Bolsonaro foi denunciado pelo Ministério Público do Rio em 2020 ao lado de Fabrício Queiroz e outras 15 pessoas. A acusação apresentada ao Tribunal de Justiça do Rio atribuiu aos denunciados, em diferentes participações descritas pelo MP, os crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita. Segundo a denúncia, o esquema teria funcionado entre 2007 e 2018 no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio.

Entre as denunciadas estavam Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa, respectivamente mãe e então mulher de Adriano da Nóbrega. Segundo o Ministério Público, as duas receberam R$ 1.029.042,48 em salários e pelo menos R$ 203.002,57 foram repassados direta ou indiretamente para Fabrício Queiroz. Os promotores também apontaram saques em espécie de R$ 202.184,64 e investigaram movimentações realizadas por intermédio de empresas relacionadas a Adriano da Nóbrega.

Saiba mais: Ministério Público do Rio — MPRJ apresentou denúncia contra Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e outros 15 investigados

Saiba mais: UOL — investigação detalhou repasses envolvendo Raimunda, Danielle, Queiroz e empresas ligadas a Adriano da Nóbrega

Planilha atribuída a Adilsinho registra R$ 727 mil relacionados a aliado de Flávio

A contravenção aparece em outro núcleo documental. Uma planilha apreendida pela Polícia Federal em 2022 e atribuída ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, relaciona o nome de Gutemberg Fonseca a uma suposta movimentação de R$ 727 mil.

Gutemberg é aliado de Flávio. Aproximou-se politicamente dele em 2018 e foi indicado pelo senador para um cargo na Secretaria de Defesa do Consumidor do governo estadual em 2023. O documento apreendido integra um conjunto de planilhas atribuídas a Adilsinho que relaciona aproximadamente R$ 29,3 milhões a mais de 60 políticos fluminenses.

No caso de Gutemberg, uma gráfica investigada também emitiu R$ 41 mil em notas fiscais referentes a material de campanha que não apareceu em sua prestação de contas. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio determinou a devolução de aproximadamente R$ 42 mil aos cofres públicos.

Saiba mais: UOL TAB — planilha apreendida pela PF e atribuída a Adilsinho relaciona R$ 727 mil a Gutemberg Fonseca

Indicado por Flávio para o Senado foi preso com fuzil durante operação da PF

Em julho de 2026, a sexta fase da Operação Unha e Carne atingiu Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo que havia deixado o cargo para disputar uma vaga no Senado e integrava a composição política de Flávio no Rio de Janeiro.

A Polícia Federal deflagrou a operação para investigar uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis da Região Metropolitana do Rio como plataforma de lavagem de dinheiro, com participação de agentes públicos. Um Relatório de Inteligência Financeira do Coaf encaminhado à PF apontou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões em seis anos no esquema investigado.

Durante o cumprimento dos mandados, em 7 de julho, agentes encontraram um fuzil calibre 5,56 no veículo em que Canella estava. O ex-prefeito foi preso em flagrante e levado ao sistema prisional. A Justiça manteve inicialmente a prisão depois da audiência de custódia.

Em 10 de julho, o ministro Alexandre de Moraes determinou a soltura de Canella e substituiu a prisão por medidas cautelares. Foram impostas tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte, suspensão do porte de arma e outras restrições. Canella passou a responder em liberdade enquanto prosseguia a apuração da Operação Unha e Carne.

Saiba mais: Agência Brasil — sexta fase da Operação Unha e Carne investigou esquema de lavagem com movimentação superior a R$ 7,6 bilhões

Saiba mais: Agência Brasil — Justiça manteve inicialmente a prisão de Márcio Canella

Saiba mais: Agência Brasil — Alexandre de Moraes determinou posteriormente a soltura de Canella sob medidas cautelares

Peixe pediu recursos, integrante do gabinete tratou da emenda e o dinheiro chegou ao projeto

É nesse histórico que o episódio mais recente ganha dimensão. As mensagens encontradas pela Polícia Federal mostram Robson Calixto tratando com Maria de Fátima Bezerra Castro, integrante do gabinete de Flávio, da obtenção de recursos para um projeto esportivo.

Em uma das conversas, segundo a investigação divulgada pela Folha, Maria de Fátima convidou Peixe para uma cerimônia de entrega de coletes para a Polícia Militar e sugeriu que ele cobrasse pessoalmente Flávio pela liberação dos recursos. A investigação identificou posteriormente dinheiro indicado pelo senador destinado à organização sob apuração.

A PF aponta aproximadamente R$ 600 mil em recursos indicados por Flávio. Desse total, R$ 199.999,79 foram destinados ao projeto de futebol relacionado ao instituto citado nas conversas com Peixe, enquanto aproximadamente R$ 400 mil foram enviados para Barra do Piraí por meio de emenda Pix.

O relatório da investigação também descreve pedidos feitos por Peixe à integrante do gabinete. Segundo a Folha, as mensagens incluem pedidos de ingressos para o Carnaval, tratados pela Polícia Federal como possíveis vantagens indevidas dentro da apuração.

A condenação de Peixe no processo do caso Marielle acrescenta outro elemento à relação documentada. Em fevereiro de 2026, o STF o condenou a nove anos de prisão por integrar organização criminosa armada com os irmãos Brazão. A Polícia Federal investiga agora a execução dos recursos das emendas, eventuais desvios, os pagamentos realizados e a atuação das pessoas e empresas envolvidas.

Saiba mais: Folha de S.Paulo — PF encontrou mensagens entre Peixe e integrante do gabinete sobre a liberação dos recursos

Saiba mais: STF — Robson Calixto foi condenado por integrar organização criminosa armada

Caso Peixe levou a pedido de auditoria das emendas de Flávio desde 2019

A revelação das mensagens e da destinação dos recursos já provocou um desdobramento institucional. O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai, apresentou ao Supremo Tribunal Federal pedido para que a Controladoria-Geral da União audite as emendas destinadas por Flávio a entidades do terceiro setor no Rio de Janeiro desde 2019.

O pedido foi encaminhado ao ministro Flávio Dino e cita o repasse ao instituto relacionado ao caso Peixe. A iniciativa partiu do líder de um partido adversário de Flávio na eleição presidencial e busca ampliar a fiscalização para outros recursos indicados pelo senador.

A petição solicita acesso ao processo relacionado à emenda, auditoria da CGU e informações sobre a indicação e execução dos recursos. O pedido ainda depende das providências dos órgãos competentes.

Saiba mais: UOL — pedido ao STF busca auditoria das emendas de Flávio Bolsonaro desde 2019

Segurança pública está no centro da candidatura presidencial de Flávio em 2026

A reconstrução desse histórico ocorre em plena campanha presidencial. Em 2 de setembro, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou o registro da chapa formada por Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar para disputar a Presidência e a Vice-Presidência pelo PL. Em 11 de setembro, concluído o julgamento dos pedidos de registro, o TSE confirmou 12 candidaturas na disputa presidencial, entre elas a de Flávio.

Saiba mais: TSE — registro da chapa Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar foi aprovado nas Eleições 2026

A segurança pública ocupa espaço na campanha e também na atuação institucional do senador, que preside a Comissão de Segurança Pública do Senado. Levantamento publicado pela Folha de S.Paulo em setembro mostrou que Flávio compareceu a três das 11 sessões da comissão consideradas pela reportagem em 2026, uma ausência de aproximadamente 72%.

A propaganda eleitoral do candidato destaca propostas de endurecimento de penas, proteção de mulheres e enfrentamento a facções criminosas. Segundo o levantamento, Flávio deixou de votar em 43% das deliberações do primeiro semestre na comissão que preside. Uma das propostas destacadas pela campanha — equiparar facções criminosas a organizações terroristas — foi rejeitada no Senado em votação na qual ele não registrou voto.

Saiba mais: Folha de S.Paulo — Flávio faltou à maior parte das sessões da Comissão de Segurança Pública consideradas pelo levantamento

Os documentos produzidos ao longo de mais de duas décadas reúnem episódios diferentes, mas que se encontram na trajetória política do mesmo personagem. Flávio propôs a principal honraria da Alerj para Adriano da Nóbrega quando o policial estava preso preventivamente; mãe e mulher de Adriano ocuparam cargos em seu gabinete; em 2007, o então deputado falou em “uma série de benefícios” ao tratar das milícias; policiais homenageados por ele apareceram em investigações; Ronald Paulo Alves, também homenageado, foi condenado pelo STF no caso Marielle; um aliado teve o nome associado a R$ 727 mil em planilha apreendida pela PF e atribuída ao bicheiro Adilsinho; e o candidato ao Senado ligado ao seu grupo político foi preso durante uma operação que investiga lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Agora, outra investigação alcança recursos indicados pelo próprio senador. Mensagens apreendidas pela Polícia Federal registram Peixe tratando da obtenção de dinheiro público com uma integrante do gabinete. Os recursos chegaram ao projeto discutido, a organização beneficiária entrou na investigação sobre suspeitas de desvio de emendas e Peixe foi condenado pelo Supremo por integrar organização criminosa armada com os irmãos Brazão.

A sequência atravessa mais de 20 anos da trajetória de Flávio Bolsonaro e chega à eleição presidencial de 2026 no momento em que segurança pública e combate ao crime organizado. O episódio mais recente ainda está em investigação: a Polícia Federal apura a execução das emendas, o caminho percorrido pelo dinheiro e eventuais desvios, enquanto um pedido apresentado ao STF busca ampliar a fiscalização para outros recursos destinados pelo senador a entidades do terceiro setor desde 2019.

FONTES

Supremo Tribunal Federal (STF) — Julgamento da Ação Penal 2.434, com as condenações relacionadas aos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes e à organização criminosa armada investigada no caso.

STF — condenações no caso Marielle e Anderson Gomes

Supremo Tribunal Federal (STF) — Primeira Turma rejeitou recursos e manteve as condenações relacionadas ao caso Marielle e Anderson Gomes em junho de 2026.

STF — recursos rejeitados e condenações mantidas

Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) — Projeto de Resolução nº 1.067/2005, apresentado por Flávio Bolsonaro para conceder a Medalha Tiradentes a Adriano Magalhães da Nóbrega.

Alerj — Projeto de Resolução nº 1.067/2005

Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) — Notas taquigráficas do pronunciamento de Flávio Bolsonaro em 7 de fevereiro de 2007 sobre milícias.

Alerj — pronunciamento de 7 de fevereiro de 2007

Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) — Denúncia apresentada contra Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e outros investigados no caso das chamadas rachadinhas.

MPRJ — denúncia no caso das rachadinhas

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Informações sobre o registro da chapa de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar nas Eleições 2026.

TSE — registros de candidaturas à Presidência em 2026

Agência Brasil — Cobertura da sexta fase da Operação Unha e Carne e da investigação sobre esquema de lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro.

Agência Brasil — Operação Unha e Carne

Agência Brasil — Decisão judicial que manteve inicialmente a prisão de Márcio Canella depois da prisão em flagrante.

Agência Brasil — Justiça mantém inicialmente prisão de Márcio Canella

Agência Brasil — Decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou posteriormente a soltura de Márcio Canella mediante medidas cautelares.

Agência Brasil — Moraes determina soltura sob medidas cautelares

Folha de S.Paulo — Reportagem sobre mensagens encontradas pela Polícia Federal entre Robson Calixto Fonseca, o Peixe, e integrante do gabinete de Flávio Bolsonaro envolvendo a liberação de emendas.

Folha — mensagens sobre emendas envolvendo integrante do gabinete e Peixe

Folha de S.Paulo — Reportagem sobre a homenagem proposta por Flávio Bolsonaro a Adriano da Nóbrega em 2005, quando o policial estava preso preventivamente.

Folha — Adriano estava preso quando Flávio propôs homenagem

Folha de S.Paulo — Reportagem sobre a nomeação da mãe e da então mulher de Adriano da Nóbrega para o gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj.

Folha — mãe e mulher de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio

Folha de S.Paulo — Levantamento sobre a presença e as votações de Flávio Bolsonaro na Comissão de Segurança Pública do Senado em 2026.

Folha — atuação de Flávio na Comissão de Segurança Pública

UOL/Estadão — Declarações de Fabrício Queiroz sobre a indicação da mãe e da então mulher de Adriano da Nóbrega para trabalhar no gabinete.

UOL/Estadão — Queiroz confirma indicações para o gabinete

UOL/Estadão — Registro da homenagem feita em 2004 por Flávio Bolsonaro a Ronald Paulo Alves Pereira.

UOL/Estadão — homenagem a Ronald Paulo Alves Pereira

UOL — Reportagem sobre a investigação de movimentações envolvendo Fabrício Queiroz, Raimunda Veras Magalhães, Danielle Mendonça da Costa e empresas relacionadas a Adriano da Nóbrega.

UOL — investigação sobre movimentações financeiras no caso das rachadinhas

UOL TAB — Reportagem sobre planilha apreendida pela Polícia Federal e atribuída a Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, com registro relacionado a Gutemberg Fonseca.

UOL TAB — planilha atribuída a Adilsinho e referência a Gutemberg Fonseca

UOL — Reportagem sobre o pedido apresentado ao STF para auditoria das emendas destinadas por Flávio Bolsonaro a entidades do terceiro setor desde 2019.

UOL — pedido de auditoria das emendas de Flávio Bolsonaro

O Dia/Estadão — Reportagem sobre policiais atingidos pela Operação Quarto Elemento que haviam sido homenageados por Flávio Bolsonaro ou participado de atividades relacionadas à sua campanha.

O Dia/Estadão — Operação Quarto Elemento e relações políticas documentadas

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